O Que Foi A Questão Militar

A transição entre a monarquia e a república no Brasil foi marcada pelos governos de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, que ocorreram entre 1889 e 1894. Durante esse período, o país passou por mudanças políticas significativas. Além disso, os movimentos sociais desempenharam um papel importante no contexto do período republicano brasileiro. É interessante observar também a galeria dos presidentes do Brasil ao longo dessa trajetória histórica.

Junto com o movimento abolicionista na década de 1870, também surgiu no Brasil a propaganda republicana. Durante os anos 1880, a ideia de República ganhou alguns adeptos no país, porém em menor número do que o abolicionismo e com um ritmo mais lento. Foi somente após o fim da escravidão que ela se tornou uma questão importante. Os primeiros a aderir ao novo grupo foram os cafeicultores, insatisfeitos com a monarquia. Eles culpavam o governo imperial pela perda dos escravos sem qualquer compensação financeira.

Após a abolição da escravidão em 13 de maio de 1888, os líderes do setor cafeeiro se uniram aos idealistas do Partido Republicano, que havia sido fundado quase duas décadas antes. Até então, o partido era composto principalmente por jovens militantes idealistas. No entanto, o partido não obteve sucesso imediato. Durante um período de dez anos, teve um desempenho eleitoral fraco e não conseguiu eleger seus candidatos para a Câmara e o Senado.

A presença de escravos nas forças armadas

No entanto, durante a década de 1880, a política não se limitava apenas à Assembleia, mas também aos quartéis. O Exército emergiu como uma instituição fortalecida após a Guerra do Paraguai, sendo considerado os verdadeiros heróis da nação. Para essa conquista, muitos escravos foram incorporados às tropas e contribuíram significativamente para o sucesso das batalhas. Naquele momento histórico específico, os negros representaram a maioria dos soldados brasileiros.

A fim de evitar a morte nos campos de batalha, os aristocratas possuíam o privilégio de enviar seus escravos para lutar em seu lugar. Além disso, com o objetivo de aumentar o número de recrutas, o governo oferecia liberdade aos escravos que se alistassem no exército. Através do convívio com os soldados nas adversidades da guerra, os oficiais começaram a simpatizar com a causa abolicionista. Dessa forma, mais um fator contribuiu para afastar o Exército da monarquia.

A Crise dos Militares: Oficiais sem recursos nem prestígio

Um fator adicional de descontentamento com o governo era a origem social da maioria dos líderes militares, que vinham das classes médias. Para esses indivíduos, a carreira militar parecia uma oportunidade de ascensão social. No entanto, os oficiais recebiam salários baixos e não desfrutavam do prestígio social ou poder político correspondentes.

Neste contexto, houve uma notável união e solidariedade entre os oficiais do Exército, que se estendeu tanto entre eles mesmos quanto em relação às tropas. Essa união também evidenciou as diferenças existentes entre o meio militar e civil. Consequentemente, a influência dos civis nos quartéis começou a ser questionada. Em 1886, as opiniões dos militares foram expressas publicamente por meio dos jornais.

No Piauí e no Rio Grande do Sul, os coronéis Cunha Matos e Sena Madureira criticaram o ministro da Guerra, Afredo Chaves, que era um civil. Esses desentendimentos com o governo ficaram conhecidos como Questão Militar.

Os dois coronéis foram punidos com prisão pelo Império, lembrando que a Constituição estabelecia que o Exército não tinha o dever de se envolver na política interna do Brasil. Em 1887, após outros conflitos entre os militares e o Ministério da Guerra, surgiu o Clube Militar como uma entidade política e representante dos militares. O marechal Deodoro da Fonseca foi eleito presidente desta organização, sendo considerado uma das principais lideranças militares do país.

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Durante a disputa entre o coronel Sena Madureira e o ministro da Guerra, Deodoro optou por apoiar o coronel. A partir desse momento, ele começou a ser procurado tanto pelos militares insatisfeitos com a monarquia quanto pelos republicanos. Embora como militar não concordasse com as atitudes do governo em relação aos militares, ele não associava diretamente o governo à monarquia ou ao imperador – a quem respeitava e considerava amigo.

Propaganda republicana

A maioria dos militares acreditava que o Império deveria chegar ao fim, mas preferiam aguardar a morte de Pedro 2º antes de romper definitivamente com a monarquia. O respeito pelo imperador idoso retardou o rompimento entre os oficiais e a monarquia. Por isso, os grupos republicanos ligados aos cafeicultores passaram a atacar o imperador por meio da Princesa Isabel, sua herdeira.

A sucessão e o futuro reinado foram transformados em fantasmas assustadores pela propaganda republicana. A ideia de uma mulher no trono causava arrepios na mentalidade machista da época. Para piorar, pairava sobre a princesa Isabel a figura do conde D’Eu, antipático e estrangeiro. Em surdina, começou a conspiração que iria derrubar a monarquia.

Cansado do poder econômico dos cafeicultores, da opinião pública e dos militares, o Império tentou implementar mudanças na ordem política. Em junho de 1889, um novo ministério foi formado com Afonso Celso de Assis Figueiredo, conhecido como visconde de Ouro Preto, ocupando a presidência. Ele já havia prestado serviços importantes ao governo anteriormente e agora tinha a responsabilidade de resolver os problemas sociais e garantir a continuidade da monarquia.

A Questão Militar: O Visconde de Ouro Preto

O município de Ouro Preto adotou medidas para resolver a questão militar, visando enfraquecer o Exército. Uma estratégia utilizada foi a distribuição das tropas em diversas regiões do país, além da transferência de comandantes e líderes para locais distantes. Além disso, houve uma política de valorização de outros grupos armados como a Polícia e a Guarda Nacional. Para complementar essas medidas, foram criadas também a Guarda Cívica e a Guarda Negra, composta por ex-escravos.

Por outro lado, os republicanos disseminaram um rumor de que o governo tinha intenções de desmantelar as forças armadas. Embora não houvesse qualquer evidência concreta para sustentar essa afirmação, o boato inflamou os quartéis. Na manhã do dia 15 de novembro de 1889, liderados pelo marechal Deodoro, soldados revoltosos saíram às ruas com o objetivo de depor o ministério de Ouro Preto. Surpreendentemente, as tropas supostamente leais ao governo nada fizeram para defendê-lo. Pelo contrário, seu comandante Floriano Peixoto simplesmente declarou que não poderia lutar contra seus compatriotas brasileiros.

Após depor Ouro Preto, Deodoro se recolheu em sua casa, pois estava doente. Ao deixar o palácio, escutou um soldado gritar “Viva a República”, respondeu: “Cale a boca, rapaz!”. Deodoro pretendia esperar a volta do imperador ao Rio de Janeiro, para discutir com ele a situação. Dom Pedro 2º estava em Petrópolis, alheio a todos aqueles acontecimentos. Ao receber as notícias pelo telégrafo, voltou às pressas à corte, para tentar formar um novo ministério. Não houve tempo.

A Proclamação da República Brasileira

Após a queda do ministro Ouro Preto e antes da volta de dom Pedro 2º ao Rio, houve um período de incerteza em que republicanos e líderes militares buscavam uma solução. Nesse contexto, a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro decidiu proclamar a República por conta própria. Embora não tivesse autoridade para representar todo o Brasil, seu pronunciamento foi seguido pelos republicanos com o apoio armado do Exército.

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Após a formação de um governo provisório, o marechal Deodoro da Fonseca assumiu a liderança. Ao tomar conhecimento de que dom Pedro 2º planejava formar um novo ministério com um inimigo pessoal seu como presidente, o marechal decidiu apoiar a causa republicana, na qual até então havia sido apenas uma peça secundária.

Dom Pedro 2º em direção ao exílio

No dia seguinte, no Paço da Cidade, o imperador dom Pedro 2º recebeu a notificação de que a monarquia não era mais a forma de governo vigente no Brasil. Assim como Ouro Preto, ele também foi deposto e intimado a deixar o país em um prazo de 24 horas. O governo provisório havia organizado um navio para levá-lo ao exílio em Portugal. Dom Pedro 2º aceitou sem objeções, declarando estar acatando a vontade do povo brasileiro.

Na madrugada de 17 de novembro, o navio partiu em uma tentativa de evitar possíveis manifestações populares a favor do imperador. Para garantir a segurança da família imperial durante a viagem, um rigoroso esquema de segurança foi montado na cidade. Embora fosse improvável que o povo se levantasse para defender dom Pedro 2º, a República preferia não correr riscos. Apesar disso, os cidadãos expressavam sua opinião sobre os acontecimentos através de versinhos que circularam pelo Rio de Janeiro pouco depois do embarque do ex-soberano.

Dom Pedro II partiu em direção ao reino de Lisboa, encerrando assim a era da monarquia no Brasil e deixando o país em uma situação incerta.

A implantação da república foi uma decisão questionável. Basicamente, o que ocorreu em 15 de novembro foi a derrocada do Partido Liberal e a ascensão dos Conservadores, especialmente os mais conservadores entre eles, defensores da escravidão.

A Questão Militar no Brainly: O que foi?

A Questão Militar foi um período conturbado na história do Brasil, que ocorreu entre 1883 e 1887. Durante esse tempo, houve uma série de conflitos entre os oficiais do Exército Brasileiro e a Monarquia, resultando em uma grave crise política no país. Esses embates foram motivados principalmente pela insatisfação dos militares com as condições de trabalho e remuneração.

Essa tensão culminou em diversos episódios marcantes durante a Questão Militar. Um exemplo importante foi a Revolta da Armada em 1893-1894, liderada pelos almirantes Custódio José de Melo e Saldanha da Gama contra o presidente Floriano Peixoto. Esse levante militar demonstrou claramente o descontentamento das Forças Armadas com o governo central.

P.S.: A Questão Militar teve como consequência direta o fortalecimento da campanha republicana no Brasil. Os conflitos entre os militares e a Monarquia contribuíram para minar ainda mais a legitimidade do regime imperial aos olhos da população brasileira. Assim, muitos passaram a enxergar na República uma alternativa viável para superar as crises políticas recorrentes no país.

P.S.: Vale ressaltar que essa questão não se limitou apenas ao âmbito militar; ela refletiu também problemas sociais mais amplos, como a falta de representatividade política e as desigualdades sociais. A insatisfação dos militares foi apenas um dos elementos que contribuíram para o enfraquecimento da Monarquia e a consolidação do movimento republicano no Brasil.

A Questão Militar durante o Segundo Reinado

Durante o período do Império no Brasil, surgiu um conflito conhecido como “Questão Militar”. Esse conflito envolveu os oficiais mais antigos do Exército, que haviam lutado na guerra de 1864-70, e os jovens oficiais da Escola Militar da Praia Vermelha. Esses jovens estavam insatisfeitos com as limitações impostas pela aristocracia e pelos critérios censitários em relação à cidadania.

Essa questão militar refletiu uma tensão entre diferentes grupos dentro das forças armadas brasileiras durante o final do século XIX. Os militares mais velhos defendiam a manutenção dos privilégios existentes, enquanto os jovens buscavam maior igualdade social e política para todos os membros das Forças Armadas.

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Contribuição da Questão Militar para o declínio do Império brasileiro

A Questão Militar foi um conflito que ocorreu no Brasil durante o período do Império, mais especificamente entre os anos de 1884 e 1887. Embora tenha sido vencida pelo governo imperial, a guerra deixou consequências significativas para o país.

1. Baixas humanas: A guerra resultou em uma grande quantidade de mortes e feridos entre aqueles que combateram ao lado do Império brasileiro. Muitos soldados perderam suas vidas ou ficaram gravemente feridos durante os confrontos.

2. Endividamento econômico: Além das perdas humanas, a guerra também trouxe um alto custo financeiro para o Brasil. O governo imperial contraiu uma grande dívida com a Inglaterra para financiar as despesas militares necessárias durante o conflito.

3. Desgaste político: D. Pedro II, imperador na época da Questão Militar, sofreu um forte desgaste político como resultado dos acontecimentos relacionados à guerra. A população começou a questionar sua liderança e capacidade de governar efetivamente diante dos problemas enfrentados pelo país.

4. Crise institucional: A Questão Militar também levantou questões sobre a estabilidade das instituições brasileiras naquele momento histórico. As divergências internas dentro do exército revelaram fragilidades nas estruturas governamentais e colocaram em xeque a coesão nacional.

5. Influência externa: Durante esse período, houve uma interferência significativa da Inglaterra nos assuntos internos do Brasil, especialmente por causa da dívida contraída pelo governo imperial com esse país europeu após a guerra.

7. Descontentamento popular: A população brasileira, especialmente os setores mais pobres da sociedade, demonstrou um crescente descontentamento com as condições econômicas e sociais do país durante esse período conturbado.

8. Reformas militares: Após a guerra, foram implementadas reformas no exército brasileiro visando modernizá-lo e fortalecê-lo diante dos desafios futuros.

9. Fortalecimento das oligarquias regionais: Durante a Questão Militar, as oligarquias regionais ganharam maior poder político em detrimento do governo centralizado do Império.

10. Preparação para a Proclamação da República: A instabilidade política gerada pela Questão Militar contribuiu para criar um ambiente propício à proclamação da República no Brasil em 1889.

Esses são alguns dos principais aspectos relacionados à Questão Militar no Brasil durante o período imperial. Esse conflito teve impactos significativos na história do país e ajudou a moldar os eventos subsequentes que levaram à queda da monarquia e ao estabelecimento da república brasileira.

Causas da Questão Militar

A Questão Militar foi um conflito que ocorreu no Brasil durante o Segundo Reinado, entre o imperador Dom Pedro II e os militares. Após a vitória na Guerra do Paraguai, os militares brasileiros ganharam prestígio e passaram a desejar uma participação mais ativa na política do país. No entanto, Dom Pedro II utilizava o Poder Moderador para controlar as decisões políticas e impedia essa participação militar.

Os militares sentiam-se excluídos do poder político e viam sua importância ser diminuída pelo monarca. Eles desejavam ter voz nas decisões governamentais e almejavam cargos de destaque dentro da administração pública. Porém, com o uso constante do Poder Moderador por parte de Dom Pedro II, eles eram mantidos afastados das esferas de influência política.

Esse atrito entre os militares e o imperador gerou tensões internas no país durante esse período histórico. Os militares buscavam formas de pressionar pela sua inserção na política nacional, enquanto Dom Pedro II resistia em abrir espaço para eles. Essa questão só seria resolvida posteriormente com a Proclamação da República em 1889, quando os militares assumiram um papel central no governo brasileiro.